Os desafios da coleta seletiva

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De quem é a responsabilidade pela separação dos resíduos? O que tem sido feito para gerar menos lixo?

 

Não existe mágica: os resíduos que geramos todos os dias em nossas casas continuam no ambiente por muito tempo, mesmo que eles sejam levados para longe de nossos olhos e nariz. Os resíduos não vão desaparecer ou serem reciclados em um estalar de dedos. O caminho é longo e envolve muitas etapas. Por esse motivo, a redução da geração de resíduos continua sendo a ação ambiental mais importante quando pensamos em meios para se minimizar o problema. E isso significa redução do consumo. Não é à toa que a reciclagem é o último dos 3 Rs. Consumidores que compram menos, fazem escolhas por produtos com menos embalagens, que reutilizam produtos e que evitam gerar lixo desnecessário contribuem para o ambiente.

Uma dúvida sempre frequente para quem tem a opção e sabe da importância da separação do lixo reciclável do rejeito, como papel higiênico e outros materiais que não podem ser reciclados, é: lavar ou não lavar as embalagens antes de encaminhar para a reciclagem? A escassez de água limpa é um problema cada vez mais preocupante e não há como negar. Usar água limpa para lavar os restos de alimentos das latas e vidros é desperdício. Mas então como ajudar os catadores que vão ter que manusear este material, reduzir o mau cheiro e o número de insetos e roedores?

Mesmo que os resíduos recicláveis sejam submetidos a altíssimas temperaturas que tornam desnecessária a lavagem em casa, não fazer nenhum tipo de limpeza tem seu preço. Quem separa seus recicláveis na área de serviço para o caminhão que coleta uma vez por semana sabe que o resto de leite que fica na embalagem não vai passar despercebido. Restos de alimentos vão atrair mosquitos e baratas e você vai acabar desistindo da coleta seletiva só de pensar no odor e na presença destes insetos.

Além disso, imagine o longo caminho que os recicláveis percorrem da sua casa até chegar aos fornos, onde serão derretidos em média a 700 graus (o alumínio), 2000 graus (o aço), 1000 graus (o vidro) e o plástico a 200 ou 300 graus. Muitas vezes um material não é coletado em uma região porque a indústria recicladora está muito longe dali, não compensando os gastos com transporte, como é o caso do isopor. Tem que armazenar em casa, depois na lixeira do condomínio – se você mora em um prédio – depois colocar na lixeira da rua para ser recolhido pelo caminhão ou pelo catador com seu carrinho. Ele, com muita dificuldade para coletar, transportar e armazenar os resíduos, irá vender para as empresas recicladoras que, normalmente, fazem a intermediação e reúnem um grande volume de material antes de levar para as indústrias que fazem, de fato, a transformação do material.

A coleta seletiva também pode acontecer por meio dos pontos de coleta em espaços públicos, onde as pessoas levam seus recicláveis e onde o caminhão recolhe posteriormente. No caso da coleta seletiva que conta com o recolhimento pelo caminhão da Prefeitura, como acontece aqui em Belo Horizonte e atende a 14% da população da capital mineira e passa um a vez por semana, os resíduos serão levados para os galpões de triagem que serão separados manualmente pelos catadores.

Voltando ao restinho de leite que ficou na embalagem longa vida, imagine a soma de vários restinhos de leite nas embalagens geradas em um prédio, em um bairro ou em uma cidade inteira (pensando hipoteticamente que a coleta seletiva conseguisse recolher todos os recicláveis gerados pela população). Com conviver diariamente com toneladas de resíduos e toda a sua contaminação? Quem gostaria de passar um dia inteiro em um local cheio de insetos e roedores e onde o odor é insuportável?

As condições sanitárias do trabalho dos catadores são preocupantes. O catador desempenha um trabalho de extrema importância para a sociedade e a população poderia, ao menos, se preocupar em garantir um mínimo de dignidade em seu trabalho. Os catadores acabam tendo que fazer este sacrifício para obter a renda que sustenta sua família. Visitar uma cooperativa de catadores pode ser uma boa forma de entender a situação do trabalho destes profissionais. Vale conhecer o catador que passa na sua rua, saber quais materiais ele recolhe e quais não têm valor comercial para ele. Vale mobilizar os vizinhos para ajudar os catadores de sua região. Vale separar os recicláveis do rejeito e ajudar o catador a encontrar facilmente o que procura.

Para manter embalagens minimamente limpas sem desperdício de água você pode reutilizar água da lavagem da louça ou a água da máquina de lavar roupa. Deixe as embalagens de vidro, alumínio, plástico e longa vida de molho em um balde com a água reutilizada e depois deixe-as secar ao ar livre. Para embalagens com resíduos oleosos, corte a embalagem e  use guardanapos usados ou jornal velho para ajudar na limpeza e não deixar o óleo ir para o esgoto e contaminar os cursos d’água.

E você, tem outras ideias de como podemos ajudar a coleta seletiva e ao mesmo tempo economizar água?

Limpeza sem desperdício: corte as embalagens longa vida no alto e deixe-as de molho em água reutilizada (da lavagem de louças ou da máquina de lavar) para retirar os restos de alimentos

 

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