Moradores pedem a preservação integral da Mata do Planalto em BH

Foto mata do Planalto

Em Belo Horizonte, moradores e ativistas se mobilizam mais uma vez em defesa da Mata do Planalto, uma área de quase duzentos mil metros quadrados e a última área de Mata Atlântica preservada da cidade. Contrariando o parecer da Procuradoria Geral do Município, que referendou o cancelamento da Licença Prévia concedida em janeiro de 2015, o Conselho Municipal de Meio Ambiente, COMAM, coloca a LP novamente em pauta para votação no dia 22 de dezembro, às vésperas do feriado de Natal. O pedido de concessão de uma nova Licença Prévia foi feito pela Rossi Residencial, pela Petiolare Empreendimento e pela Construtora Direcional. O projeto prevê dezesseis prédios totalizando mais de setecentos e cinquenta unidades residenciais, além de mil e trezentas vagas de garagem.

Os movimentos em defesa do verde na cidade enfatizam a importância da preservação integral da Mata do Planalto. “Em meio à grave crise hídrica que atinge o país, aproximadamente vinte nascentes correm o risco de desaparecer com a construção do condomínio residencial na região norte da cidade. Elas estão em uma área de quase duzentos mil metros quadrados, último reduto com vegetação remanescente da mata atlântica da capital mineira”, explica Magali Trindade, presidente da Associação de Moradores do bairro Planalto. 

“A Prefeitura de Belo Horizonte pede que a população economize água mas ao mesmo tempo permite a destruição de uma área que abriga tantas nascentes”, questionaram participantes nas audiências públicas realizadas nos últimos meses e que debateram a construção do condomínio residencial na Mata do Planalto. A incoerência entre o discurso e a prática da Prefeitura de Belo Horizonte foi lembrada nas discussões na Câmara Municipal de Belo Horizonte. A cidade que recebeu o título de “a melhor capital e a segunda melhor cidade do Brasil para se viver” estaria sistematicamente destruindo suas áreas verdes e beneficiando a atuação de construtoras e grupos imobiliários, na opinião de vereadores e outros participantes das audiências públicas.

Além da destruição das nascentes, preocupações com a crescente impermeabilização do solo, as alterações no microclima, a perda da biodiversidade, da qualidade de vida na cidade, os impactos viários devido às vias já congestionadas na região foram algumas das questões apresentadas pelos integrantes e apoiadores do movimento Salve a Mata do Planalto.

Em carta à Prefeitura de Belo Horizonte, a Associação de Moradores do bairro Planalto e Adjacências pede a preservação da área, lembrando do compromisso em favor da sustentabilidade e pelo combate às mudanças climáticas assumido pelo prefeito Márcio Lacerda, presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), em reunião com o Papa Francisco em julho deste ano.

Veja carta abaixo:

“Há muitos anos vimos reivindicando a preservação das áreas verdes da capital, entre elas a Mata do Planalto, por razões que já foram cansativamente explicitadas e que são de pleno conhecimento das autoridades constituídas, como mudança na temperatura, retenção de águas de chuva, preservação da fauna, aumento populacional na região com saturação das estruturas básicas. Exemplificando, citamos estudos da UFMG, com base em dados meteorológicos de Belo Horizonte referentes ao último século, aponta queda de 7% da umidade relativa do ar e aumento de 2,7 ºC da temperatura mínima, que saltou de 15,2 ºC para 17,9 oC.  A pesquisa atribui a alteração,principalmente, ao aumento da verticalização da cidade, sobretudo a partir de 1980, quando a capital mineira acelerou a substituição de quintais e áreas verdes por edifícios.

Isto posto, no dia 22 em reunião do COMAM a concessão de licença prévia para construção dentro da Mata do Planalto volta à tona, razão pela qual rogamos a V.Ex.ªs, que sensibilizem com os anseios populares, no sentido de não conceder esta licença, em benefício de milhares de pessoas que vivem na capital, já que comprovadamente o desmatamento vem piorando o clima de BH.

Ratificamos o pedido feito ao Prefeito Marcio Lacerda, pelo Papa Francisco, cujos fundamentos são os mesmos nossos e que o Prefeito Márcio Lacerda assinou compromisso de dar atenção a estes problemas ambientais, conforme reproduzimos abaixo:

“O papa Francisco recebeu hoje (21), no Vaticano, cerca de 70 prefeitos de várias cidades do mundo e pediu que as autoridades tenham consciência do problema da destruição do planeta que está sendo levado adiante por todos os homens. “Por que estou apelando aos prefeitos? Porque a consciência sobre a defesa do meio ambiente implica um trabalho que comece pelas periferias e caminhe em direção ao centro, até a consciência da humanidade”, explicou o pontífice”.

“Após o pronunciamento de prefeitos de várias partes do mundo, incluindo o presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Marcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte (MG), o papa Francisco encerrou, no fim da tarde desta terça-feira (21) no Vaticano, (meio dia horário de Brasília), o workshop “Escravidão moderna e mudanças climáticas: o compromisso das cidades”. Na ocasião, os prefeitos assinaram um documento se comprometendo em dar atenção ao enfrentamento dos desafios das mudanças climáticas induzidas pelo homem, da pobreza extrema e da exclusão social, incluindo o tráfico de seres humanos, no contexto do desenvolvimento sustentável”.

Associação de Moradores do bairro Planalto e Adjacências

 

Acompanhe o Movimento Salve a Mata do Planalto

Para saber mais acesse: Mata do planalto: nascentes e biodiversidade correm risco em BH

Veja imagens aéreas recentes da Mata do Planalto