Feiras de trocas de brinquedos movimentaram o Brasil no mês de outubro

 

Outubro é um mês especial para todos os grupos que discutem o consumismo infantil.  Em diversas cidades do Brasil as famílias se reúnem para participar de feiras de trocas de brinquedos, promovem momentos de questionamento do consumismo e adotam uma nova forma de comemorar o 12 de outubro. Por meio das feiras de trocas de brinquedos e livros, as crianças ganham presentes sem que seus pais tenham que gastar nem um centavo. Também fazem novos amigos e aprendem a interagir, negociar e experimentar um consumo diferente.

O número de feiras de trocas cresce a cada ano, desde o 2012, data da primeira grande mobilização do Instituto Alana, por um “Dia das Crianças diferente”. Em 2012, no primeiro ano, foram organizadas 51 feiras. Em 2013, foram mais de 100 feiras, sendo duas internacionais. Em 2014, o sucesso também foi grande. Em 2015, só no mês de outubro foram registradas 53 feiras no site. O site da Feira de Trocas contribui com material de apoio para a realização de feiras de maneira autônoma, em todo o Brasil, em qualquer época do ano.

Em Belo Horizonte, no dia 10 de outubro de 2015, aconteceu uma feira e um piquenique no Parque Renato Azeredo, no bairro Palmares. O evento realizado pelo blog Na Pracinha contou com diversos apoiadores, incluindo o Movimento Consciência e Consumo que integra a Rede Brasileira Infância e Consumo, Rebrinc.

Centenas de famílias estenderam a toalha pelo gramado para compartilhar o lanche e também um outro jeito de vivenciar o Dia das Crianças. Pais e mães conversavam sobre formas de reduzir o consumo e o desperdício de recursos, além do desejo de um mundo com valores mais humanos, com mais respeito à infância e menos apelos comerciais sobre as crianças.

Isadora, de 8 anos, aprovou a iniciativa. “As crianças e os pais, ao invés de comprar coisas, podem trocar ou doar para outras crianças. Eu acho mais divertido trocar do que gastar dinheiro”, explicou a menina.

Mãe do Pedro de 7 anos, Priscila Rondas também achou excelente a ideia da feira de trocas. Participando pela primeira vez, ela comentou que um evento assim é importante principalmente para trabalhar com a criança a questão do desapego. “Nesse mundo tão capitalista que a gente está vivendo hoje, onde tudo é consumismo, essa questão de troca e de doação é fundamental”, frisou Priscila.

Lívia Guimarães, psicóloga e mãe do Bento de 2 anos, também participou da feira de trocas em Belo Horizonte. Para ela, a iniciativa ajuda a ensinar desde cedo outros valores e reduzir o consumismo que marca a data do Dia dos Crianças. “É uma a oportunidade de educar seu filho sob o prisma de um paradigma mais humanitário e humanista, mais empático, além da possibilidade de estimulá-lo a desenvolver habilidades sociais, bem como aprender que nadar contra o consumismo é cuidar melhor da gente e do mundo em que vivemos”, comentou Lívia.

“Um parque ocupado por famílias com suas cestas de piqueniques e sacolas cheias de brinquedos para trocar – foi lindo presenciar esse cenário. É tão emocionante ver a troca acontecendo, com satisfação, pelas crianças. O período de análise do novo brinquedo, a espera pela resposta da outra criança, o desapego, até o momento final com o aperto de mãos (ou com um abraço ou um sorriso sem graça), fechando o negócio: uma experiência social e solidária importante, que a gente incentiva, que queremos ver cada vez mais”, comentou, Flávia Pellegrini, uma das criadoras do blog Na Pracinha.

Salvador

Na capital baiana, o Movimento Infância Livre de Consumismo, Milc, apoiou a realização de uma feira de trocas que foi feita por um grupo de mães, pais e cidadãos voluntários preocupados em proporcionar aos seus filhos uma infância menos consumista. O evento contou com uma programação que valorizou o brincar, a infância e a simplicidade, desconstruindo a ideia da necessidade de consumir brinquedos novos para possibilitar a diversão infantil.

Mariana Sá, do Movimento Infância Livre de Consumismo, relatou como foi a 6ª Feira de Trocas de Salvador. “Ao final das feiras sempre sentimos que alcançamos  o espírito principal que é promover um tempo e um espaço em que crianças e os pais possam vivenciar o verdadeiro sentido do brincar. A expectativa é deixar claro que a brincadeira está além da aquisição de brinquedos novos, especialmente neste momento do ano em que há um aumento expressivo da veiculação de mensagens publicitárias para o público infantil.”

Assim como em Belo Horizonte e Salvador, muitas outras cidades realizaram seus eventos de questionamento do consumismo infantil e dos apelos publicitários sobre as crianças.

E é importante ressaltar que as feiras de trocas podem acontecer em qualquer mês do ano por grupos organizados que debatem o consumismo na infância e também por mães, pais, professores ou pessoas de qualquer área de atuação. Vale fazer na escola, na rua, no prédio, no clube, na praça, reunindo os amigos dos filhos ou os primos. Que tal programar uma feira de trocas para crianças e adultos para o mês de dezembro, propondo um Natal sem consumismo?

Veja aqui como fazer uma feira de trocas.

Veja outras feiras de trocas e atividades de questionamento do consumismo realizadas em outubro pelo Brasil: São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Conselheiro Lafaiete,

Veja aqui as imagens da Feira de troca e piquenique do blog Na pracinha feitas pela fotógrafa Patrícia de Sá.

Relembre as feiras de troca de Belo Horizonte realizadas pelo Consciência e Consumo.

Fotos abaixo: Consciência e Consumo

 

Mais divertido que comprar é trocar

 

Feira Troca BH 2015

Brinquedos de variados tipos

Isadora e Letícia trocam seus brinquedos

 

Feira Troca BH 2015

Pedro (camiseta azul) realiza troca com os novos amigos

 

 

 

Feira Troca BH 2015

Explicações para boas trocas

Lívia Guimarães com o filho Bento no colo

 

Feira Troca BH 2015

Doações para o Projeto Vó Dolores que ajuda gestantes de baixa renda a montar enxoval para seus bebês

 

Feira Troca BH 2015

Crianças de várias idades participaram da feira

 

Muitas trocas para um Dia das Crianças diferente

 

O parque Renato Azeredo em Belo Horizonte

 

Contação de histórias com a Casa de Lua

 

 

Fotos: Consciência e Consumo