A importância da alfabetização ecológica nas escolas brasileiras

Berenice Adams é educadora ambiental e criadora do Projeto Apoema do Rio Grande do Sul

Berenice Gehlen Adams é pedagoga, educadora ambiental, criadora do Projeto Apoema e autora do livro ABC Ilustrado: Um Mundo Encantado Chamado Terra, com atividades para alfabetização. Nesta entrevista, realizada por Luciana Ribeiro, do blog Ecopedagogia, Bere Adams ensina como incentivar um novo olhar sobre o ambiente que nos cerca na escola e também fora dela

Para acessar o link original da entrevista:  www.ecopedagogia.bio.br

 

Qual sua visão referente à alfabetização que é desenvolvida nas escolas brasileiras? Relate alguma experiência que considera importante para ensinar valores que descrevem a qualidade de vida do cidadão brasileiro e do meio ambiente.

A visão que tenho sobre a alfabetização que temos hoje no Brasil não é nada otimista. E ela vem de algumas pesquisas que fiz quando estava trabalhando no projeto do livro ABC Ambiental Ilustrado pois evidenciaram que os processos de alfabetização, da maioria das escolas do nosso país, não têm apresentado bons resultados e estes vão refletir em diversos problemas de aprendizagem dos alunos, ao longo da sua vida escolar, como por exemplo: leitura lenta; problemas de interpretação; muitas dificuldades em escrever uma boa e simples redação; e, o pior deles, o da falta de interesse pela leitura. Quanto a relatar alguma experiência, ressalto que todas as atividades que sensibilizem as crianças sobre o meio ambiente para a importância da vida e evidenciem que há uma conexão, entre tudo e todos, são fundamentais. Utilizar recursos didáticos como livros e outros que envolvam os sentidos para aguçar a percepção ambiental, também é muito importante, como áudios, vídeos, fotografias, ilustrações. A exploração de diferentes espaços como parques, praças, museus, espaços públicos e ambientes ao ar livre – desde que sejam seguros – é fundamental para o envolvimento das crianças com essa ciranda que se chama VIDA.

Como pedagoga experiente e apaixonada pela preservação do meio ambiente, o que de fato motivou a produção do livro ABC Ambiental Ilustrado: Um Mundo Encantado Chamado Terra com atividades para alfabetização no ano de 2013? De que forma ele instrumentaliza ou apoia educadores do Rio Grande do Sul e das demais cidades brasileiras?

Eu sempre tive um imenso desejo de produzir um livro didático para as crianças que estão ingressando no mundo da leitura e da escrita, e que pudesse aliar o processo de alfabetização propriamente dito, ao desenvolvimento de uma consciência crítica em relação ao meio ambiente. Eu sou muito a favor de livros textos para a alfabetização, que são também chamados de “cartilhas”, pois eles podem funcionar como passaportes para o mundo da leitura. Mas, infelizmente, não temos boas produções à nossa disposição por disponibilizarem textos que privilegiam os fonemas, as letras, e muitas vezes não têm sentido algum para a criança. A maioria deixa a desejar em se tratando de conteúdo. O ABC Ambiental Ilustrado é um livro que traz para cada letra um poema, e apresenta ilustrações e fotos com conceitos que podem ser explorados pelos professores, no processo de alfabetização. Ele pode ser pintado, recortado, desenhado, escrito, lido, enfim, pertencerá à criança, e ela poderá apropriar-se dele. Nesta fase as crianças aprendem muito mais com o concreto, com o que podem manipular, por isto entendo que o livro, nesta fase, é fundamental. Em relação ao seu conteúdo, há a preocupação de apresentar palavras que evocam o nosso sistema de vida e tudo o que ele envolve. Caberá a cada docente ampliar estes conceitos, inserindo-os no universo de seus alunos, abordando a interdisciplinaridade que estiver nele implícita. Uma cartilha ou um livro texto que não seja extrapolado pelos professores em suas atividades, nunca trará bons resultados, por si só. Como o ABC Ambiental Ilustrado foi lançado no final de 2013, não há, ainda, experiência concreta a se relatar. Há um projeto piloto da sua aplicação em andamento para o ano letivo de 2014 em parceria com uma cidade de Minas Gerais, então, os resultados poderão ser colhidos, apenas, no final desta aplicação. Estou muito confiante de que se trata de um recurso pedagógico que pode enriquecer no processo de alfabetização, bem como na inserção da Educação Ambiental à rotina escolar da educação básica salientando que pode ser utilizado em qualquer localidade do País.

A organização do livro contou com sua vivência de educadora por meio de fotos, desenhos e outros detalhes que dignificam seu amor pela natureza. O professor precisa vivenciar a educação ambiental antes de apregoá-la para seus alunos?

A Educação Ambiental é uma prática em que a maioria dos professores já está engajada, quer seja por determinação das escolas, ou como iniciativa do professor por exercício de sua cidadania planetária. O docente, necessariamente, deve acompanhar o que acontece no mundo para abordar em suas aulas, e o mundo está mostrando que precisamos dar maior ênfase a atitudes que minimizem os danos ao meio ambiente, então, este recurso pedagógico pode ser um grande aliado, principalmente se o professor não tiver familiaridade com a Educação Ambiental em seu contexto teórico. Muitos docentes utilizam especificamente e de forma estanque as datas comemorativas e temas fechados como lixo, poluição, reciclagem, raramente enfocando a beleza da vida, de sua plenitude, evidenciadas nas suas infindáveis lições, trabalhando o meio ambiente e seus “problemas” ao invés de abordar o meio ambiente e a vida que ele abriga. Para estes professores, o livro poderá ser um incentivo para que ele se engaje a esta prática, que nada mais é do que trazer a vida em seu amplo contexto para dentro das atividades escolares.

De acordo com suas experiências pedagógicas, como o professor pode articular conhecimentos práticos referentes aos temas complexos, como o aquecimento global, a reciclagem do lixo, a poluição dos mares etc.? Nesse sentido, poderia indicar duas sugestões de atividades que considera primordiais para fundamentar a alfabetização ecológica no contexto escolar?

Eu procuro enfatizar que a Educação Ambiental mais profunda é aquela que promove um trabalhado educativo sob o prisma de como a vida funciona, as relações existentes entre diferentes ecossistemas, envolvendo todas as disciplinas, associando os conteúdos curriculares possíveis – uma vez que estes devem ser atendidos. Esta Educação Ambiental desperta o interesse das crianças de forma que elas se sintam alegres e envolvidas em descobertas, caso contrário, sem este envolvimento, a criança fica assustada com abordagens como: “Precisamos salvar o Planeta”, ou que “O meio ambiente está sofrendo”. Elas ainda não têm a capacidade de alcançar a compreensão de futuro, e por isto se sentem impotentes diante tantos problemas que nem foram elas quem criaram. Por este motivo, sugiro que a Educação Ambiental seja abordada por um foco mais abrangente de meio ambiente, uma vez que, normalmente, partimos de algum “problema” para praticar a Educação Ambiental. Porém, isso não impede que estes temas sejam trabalhados, mas devem estar dentro de um contexto que seja significativo para as crianças. Para abordar o tema “aquecimento global”, uma sugestão é fazer uma visita a alguma estufa de mudas, podendo ser em floriculturas ou viveiros florestais, e mostrar como funciona esta estufa. Se não for possível sair com as crianças, pode-se utilizar um livro que trate do assunto, ou um vídeo. A partir deste aprendizado, o professor cria atividades que possibilitem uma associação ao efeito estufa natural da Terra, para que as crianças percebam que sem ele seria tão frio que não haveria vida no planeta, assim como algumas plantas precisam da estufa para germinar e crescer. Depois de compreendido, aí se chega ao assunto aquecimento global, para a compreensão de que o calor nesta estufa natural da Terra se acentua pelo excesso de fumaça que é liberada no ar (explorar diferentes tipos de fumaça, bem como as atividades que geram fumaça). Enquanto o professor perceber que há interesse no assunto, explora-o até o esgotamento ou até que perceba outro tema que possa dar continuidade. Em relação à sugestão para um trabalho focado em reciclagem, será muito apropriado partir de algo concreto, que evidencie o sistema de reciclagem natural que existe na terra, pela decomposição de material orgânico, podendo ser visto em composteiras, que podem ser feitas na própria escola. Fazer um minhocário também é bem simples e mostra como as minhocas transformam o lixo orgânico em húmus. A partir disto, podem-se explorar muitas atividades interdisciplinares enfocando os resíduos que geramos e o tempo que demoram em se decompor, desde atividades artísticas, até brincadeiras com a sucata, criação de histórias, entrevistas, visitas a feiras etc., lembrando que, ao tratar o tema reciclagem deve ser tratado, também, o tema redução de consumo.

Fale sobre a importância da arte ambiental, que pode ser articulada por meio de teatros, músicas,vídeos,confecção de recicláveis, os quais ajudam o professor a reeducar seus alunos para a preservação da natureza. Você acha que as indústrias podem fabricar brinquedos ecológicos e, desse modo, ajudar os educadores a desenvolverem essa missão educacional?

A arte, de todos os tipos, é uma das mais belas maneiras que se pode fazer a Educação Ambiental de forma interdisciplinar. A sucata é uma importante matéria-prima, porém, é preciso salientar que estes materiais devem ser previamente solicitados, dando um prazo para a sua coleta de resíduos limpos que a família da criança costuma produzir durante uma semana, por exemplo. Nunca solicitar que as crianças tragam materiais específicos como: três embalagens de garrafas PET, duas embalagens de copos de iogurte, uma embalagem de pote de sorvete, etc., pois muitas famílias que não fazem uso de certos produtos passarão a consumi-los porque é preciso mandar para a escola do filho – aí está havendo um incentivo ao consumo, e o que é pior, de maneira forçada. Há muitos relatos de pessoas que passaram a comprar um determinado produto, pois alguém o recicla muito bem, ou precisam levar para um curso ou para a escola. Se gerarmos uma dependência destes recursos, geramos outro problema, ao invés de minimizá-lo. Mas, a reciclagem deve sim ser incentivada como recurso pedagógico de fácil acesso. Tem muito material educativo encontrado no lixo, e isto são poucos os que compreendem. Há muitas pessoas que são completamente contra a utilização da sucata, mas pelos motivos que citei, e com razão. Sobre a produção de brinquedos ecológicos, estes, sem dúvida, são muito bem-vindos para apoiar a Educação Ambiental!

O órgão gestor de educação ambiental (Ministério do Meio Ambiente e Mistério da Educação) no Brasil pode e deve ajudar os educadores a resolverem os problemas ambientais. Poderia citar algum referencial educativo (livro, vídeo, projeto) indicado por eles, os quais auxiliam o trabalho de alfabetização realizado no contexto escolar?

Há muito tempo eu acompanhava bem de perto as atividades do MMA e nesse tempo percebia um grande esforço, principalmente na época da Ministra Marina Silva, o MA e a EA no Brasil tinham mais destaque. Foi um tempo em que muitos ideais da Educação Ambiental tomaram corpo nas ações de educação. Houve uma explosão de Redes de EA por todo o Brasil, graças a REBEA (Rede Brasileira de Educação Ambiental). Foi quando nasceram muitos projetos como as Salas Verdes, os Coletivos Educadores, e produziam materiais informativos, publicações, entre outros, mas há muito tempo que não acompanho mais o Órgão Gestor do MMA, por não ter nenhum envolvimento, atualmente. Além disto, ao final de 2012 o Projeto Apoema – EA deixou de ser ONG e passou a ser programa socioambiental da empresa Apoema Cultura Ambiental, justamente por falta de possibilidades reais de parcerias com o Governo, por falta de incentivo e pela burocracia desgastante dos processos para apoios a projetos.

O desafio de implementar as políticas públicas voltadas para a sustentabilidade nos currículos escolares é algo fundamental para melhorar a qualidade do ensino no Brasil. Segundo as pesquisas acadêmicas (Berenice Adams/Vilmar Berna/Moacir Gadotti), as crianças e os adultos compreendem melhor os valores essenciais para a convivência social no planeta Terra, tais como respeitar a diversidade cultural e zelar pelo local de moradia. O que falta de fato para que os governantes, os educadores, as famílias brasileiras dialoguem sobre a cidadania ambiental no contexto escolar?

Esta pergunta dá um bom tema para uma tese, e por isso, respondê-la é um desafio. O que falta, principalmente no nosso Governo é: coerência; respeito, conhecimento, atitude, seriedade, boa vontade e principalmente, o exercício da cidadania planetária. De um lado, nossa legislação ambiental brasileira é a mais completa do mundo, de outro, o nosso Governo permite verdadeiras atrocidades, como por exemplo, a transposição do Rio São Francisco, a construção de grandes usinas hidrelétricas, o desrespeito com os povos indígenas, e por aí vai. Assim, ocorrem inúmeros retrocessos, em prol de grandes corporações que lucram com a devastação. Para mim, este é o ponto crucial que justifica a falta de um diálogo sobre cidadania ambiental no contexto escolar, é um reflexo dessa irresponsabilidade ambiental governamental.

Fale sobre a revista eletrônica Educação Ambiental em Ação (http://www.revistaea.org/) que você articula com amigos, colaboradores, parceiros e ambientalistas renomados para ajudar a disseminar a educação ambiental no Brasil. Fale sobre essa “alfabetização de ideias e projetos ecológicos” que beneficiam aqueles que não sabem zelar pelo meio ambiente. Os universitários podem mobilizar algum trabalho acadêmico por meio dela? Como?

A revista eletrônica Educação Ambiental em Ação é uma produção virtual e é fruto de um desejo de educadores ambientais e produtores culturais de diferentes áreas de atuação, de diversas partes do país, – sendo uma das participantes da Argentina -, todos integrantes do GEAI (Grupo de Educação Ambiental da Internet), que se articula como rede, fundado em 2000. A cada dia aumenta de forma muito significativa a participação de acadêmicos e universitários que enviam suas experiências, ações, pesquisas em seus artigos, que são avaliados e, se aprovados e estando de acordo com as normas da revista – que estão disponíveis no site – são publicados. A revista conta, ainda, com diversas seções como: Dinâmicas, Textos de reflexão, Educação, Sugestões Bibliográficas, Arte e Ambiente, Práticas de Educação Ambiental, Entrevistas, entre outras. Normalmente elaboramos um cronograma anual definindo o tema de cada edição, elegendo uma frase que será o “norte” dos nossos trabalhos. Acredita-se que a produção é uma grande contribuição para todos que queiram aprimorar suas práticas relacionadas à Educação Ambiental. Sua periodicidade é trimestral e desde 2001, quando foi lançada, já tivemos mais de 4 milhões de acessos, um número muito significativo para uma produção que não faz uso de publicidade, evidenciando a grande procura pelo assunto Educação Ambiental.

O ensino da educação ambiental pode e deve ser articulado nos cursos de Pedagogia, mas, infelizmente, esse processo de reeducação é algo difícil, burocrático e desafiador para as universidades e faculdades brasileiras pela falta de apoio pedagógico para implementar atividades práticas, como organizar uma horta escolar, por exemplo. Poderia socializar alguns conselhos ambientais concernentes à aplicação de conhecimentos práticos para os futuros pedagogos do Brasil?

A falta da Educação Ambiental nos cursos de formação de professores, de Pedagogia, – e de outros cursos de outras áreas do conhecimento – evidencia mais uma contradição das nossas políticas públicas, sendo que a Lei Nº 9.795, que institui o Programa Nacional de Educação Ambiental, abarca os seguintes artigos que se relacionam ao seu questionamento:

Art. 10 – A educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal.

§ 1o A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino.

§ 2o Nos cursos de pós-graduação, extensão e nas áreas voltadas ao aspecto metodológico da educação ambiental, quando se fizer necessário, é facultada a criação de disciplina específica.

§ 3o Nos cursos de formação e especialização técnico-profissional, em todos os níveis, deve ser incorporado conteúdo que trate da ética ambiental das atividades profissionais a serem desenvolvidas.

Art. 11 – A dimensão ambiental deve constar dos currículos de formação de professores, em todos os níveis e em todas as disciplinas.
Parágrafo único. Os professores em atividade devem receber formação complementar em suas áreas de atuação, com o propósito de atender adequadamente ao cumprimento dos princípios e objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental.

Art. 12 – A autorização e supervisão do funcionamento de instituições de ensino e de seus cursos, nas redes pública e privada, observarão o cumprimento do disposto nos arts. 10 e 11 desta Lei.

Na prática, infelizmente, isto não acontece, evidenciando descaso e irresponsabilidade no descumprimento desta Lei, criada já em abril de 1999, e, ainda hoje, a maioria dos professores e dos espaços de educação desconhecem a sua existência.

Concluo a minha resposta, então, com alguns conselhos a quem está fazendo Pedagogia:

– Conheça os documentos referência da Educação Ambiental, facilmente encontrados na Internet: A Lei 9795; Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global; e, a Carta da Terra (existem muitos outros, mas estes eu considero como principais);

– Leia artigos pedagógicos que tratam de experiências de Educação Ambiental relacionadas ao que é do seu interesse. Se trabalha com corpo docente e equipe diretiva, busque por experiências que promovam a capacitação em Educação Ambiental e sensibilização de docentes e da equipe; se trabalha com crianças, inteire-se de práticas, dinâmicas, e atividades relacionadas; se trabalha em empresa, busque conhecer como a Educação Ambiental é trabalhada nestes ambientes empresariais.

– Elabore um projeto de Educação Ambiental e busque meios de aplicá-lo no seu ambiente acadêmico.

A partir daí, o caminho estará aberto para muitas descobertas que implicarão em uma melhor visão da Educação Ambiental e da sua relação direta com o ser pedagógico de cada um.

O Projeto Apoema oferece cursos ou palestras direcionadas aos educadores brasileiros. Quais são eles e como acessá-los para que gestores e professores adquiram conhecimentos para enriquecer a prática da educação ambiental dentro e fora do contexto escolar?

Por algum tempo o Projeto Apoema desenvolveu três cursos de Educação Ambiental à distância, através da Apoema Cultura Ambiental, que é a empresa pela qual presto estes serviços e publico os livros de Educação Ambiental. Como os recursos tecnológicos dão saltos grandes em curtos espaços de tempo, resolvemos dar uma reelaborada no ambiente virtual e em breve pretendemos retomá-los. Em relação a palestras, atualmente venho desenvolvendo o tema: Cultivando um jardim de atitudes sustentáveis e pode ser abordado tanto com professores como com crianças a partir dos 10 anos. Além disso, faço oficinas com professores que tratam dos documentos referência da Educação Ambiental. Muitas instituições me procuram para elaborar projetos (tanto escolas como empresas) muitas vezes já com um tema específico, para o qual preparo a palestra ou a oficina em forma de “encomenda”.

Fale sobre o consumo infantil no Brasil e as ações que envolvem a alfabetização ecológica para sanar a crise ambiental que tende a agravar-se no mundo inteiro.

Este é um tema que tem grande importância dentro do contexto da Educação Ambiental porque ele precisa extrapolar o ambiente escolar para chegar nos lares, nos pais, nos avós, na comunidade, pois as crianças só consomem o que os adultos adquirem para ela. A escola poderá, através de eventos, de informativos, de atividades desafiadoras, levar a comunidade a perceber que consomem muito mais do que necessitam, conscientizando-os para o consumo sustentável. Outro ponto desta questão do consumo infantil é o da própria escola incentivar o consumo através da sua cantina, disponibilizando produtos alimentícios de baixa qualidade.

Deixe um recado eco especial para os leitores do Jornal Meio Ambiente e seus contatos para serem divulgados para os educadores brasileiros.

A Educação Ambiental é um processo apaixonante e transformador, e não se trata, de forma alguma, de se incluir mais conteúdos ao currículo escolar ou torná-la uma disciplina, mas sim, ela nos propõe a evocar um novo olhar no nosso fazer educacional, que inclui o ambiente em sua totalidade, às práticas rotineiras. Sou míope, e lembro-me perfeitamente do dia em que saí da ótica com meus óculos novos. Na época eu tinha treze anos. Fiquei maravilhada com tudo o que via… Eu podia ver cada folha das árvores, podia distinguir o tipo de pássaro que voava, podia ver o rosto bem definido das pessoas, quando antes tudo era nebuloso. É mais ou menos isto o que se sente em relação à educação, quando colocamos as lentes da Educação Ambiental, é quase um encantamento.

 

Este conteúdo foi gentilmente cedido para reprodução no Consciência e Consumo (edição autorizada).

Para acessar o link original da entrevista: www.ecopedagogia.bio.br

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Para saber mais sobre o livro de Berenice Adams, acesse o site do Projeto Apoema.

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