Shopping center: o lugar mais seguro para o meu filho adolescente?

Sobre a autora: Paula Melgaço é sócia-fundadora da Clínica Base, graduada em Psicologia pela UFMG, Especialista em Estudos Diplomáticos, Especialista em Psicanálise com Crianças e Adolescentes pela PUC-MG e Mestre em Psicologia. Uma das idealizadoras do Descobrindo Crianças: a infância sob o olhar da tecnologia, do Jornal Interlocução: sujeitos que se comunicam e do Circuito de Saia. Referência da Clínica Base em projetos relacionados à adolescência, à tecnologia/mundo virtual e à orientação profissional. paula@clinicabase.com

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Andando pelos corredores de um shopping center, me deparei com vários grupos de adolescentes que haviam combinado de se encontrar para ir ao cinema, fazer compras e lanchar. Esta cena despertou lembranças do começo da minha própria adolescência em que meus pais permitiam que eu me encontrasse com colegas somente no shopping por considerarem esse tipo de local seguro e adequado para alguém da minha idade.

Hoje, já bem longe dos meus 15 anos, me pego pensando sobre o conceito de segurança dos meus pais e de muitos outros que pensam de forma similar, que me parece ser baseado somente na proteção contra os perigos da rua- como a violência e as drogas. Contudo, não seria o apelo ao consumo também um problema para o desenvolvimento dos jovens?

No consultório de psicologia, são cada vez mais comuns casos de adolescentes que chegam angustiados com sentimentos de não pertencimento, isto é, com a sensação de que não conseguirão ser aceitos em nenhum grupo se não tiverem determinados objetos como iphones, tablets e roupas de marcas específicas que desenvolvem publicidades direcionadas para esse público. São criadas campanhas de marketing que transmitem a mensagem de que, se o adolescente comprar o produto que está sendo vendido, será visto como alguém descolado e interessante que, assim, poderá fazer parte da turma.

Compra feita! Porém, nada se modifica e o adolescente começa a pensar que o problema está somente com ele: que não é inteligente, bonito e nem legal o suficiente, o que pode gerar sérias questões ligadas à autoestima, ansiedade e insegurança com suas habilidades e potencial. Portanto, me pergunto: será o shopping center o local mais seguro para os nossos filhos adolescentes?

Foto: Flickr/Martin