Resgatando as coisas simples da vida

Para além do consumo, a alegria das coisas simples – Foto: Arquivo pessoal

Sobre a autora: Marina Otoni é sócia-fundadora da Clínica Base, graduada em Psicologia pela PUC-MG, especialista em psicanálise pela UFMG e mestranda em psicologia pela UFMG. Referência na Clínica Base em projetos relacionados à mulher focando temas como a maternidade e o feminino. www.clinicabase.com

Recentemente, fiz um passeio com minha família que me fez refletir sobre a forma como estamos conduzindo nossa vida. Fomos até Rio Acima, uma pacata cidade de Minas Gerais, fazer um passeio de Maria Fumaça, que resgata nossa história, trazendo para o presente um passado que a modernidade apagou junto com as estradas de ferro, que por tantos anos e gerações atravessaram nosso estado levando nossos antepassados. Um passeio singelo que revelou a simplicidade de uma época que se perdeu com a chegada de uma nova era, e que só o olhar sensível de uma criança parece valorizar.

A modernidade foi um marco, um divisor de águas, pois ela não trouxe só a tecnologia e a industrialização, mas uma nova forma do homem se relacionar com si mesmo, com seus semelhantes e enxergar o mundo à sua volta. Mas, se por um lado, os novos meios de comunicação e tecnologias encurtaram as distâncias e diminuíram as fronteiras entre os povos, por outro, parece ter aumentado a distância entre nós, pois, atitudes como o individualismo e o narcisismo caracterizam a nossa sociedade.

Se no passado a felicidade podia ser encontrada nas coisas simples, agora, não mais, nos tornamos mais exigentes e, para muitos, ela está atrelada aos objetos de consumo. Somos constantemente bombardeados com milhões de propagandas que veiculam mais do que um produto, mas um jeito de viver e pensar, que muitas vezes compramos apenas para atender a uma exigência social, pois, o que importa não é mais o que realmente somos, nossa essência, nossa história, mas o que aparentamos ser.

Perdemos a sensibilidade e a capacidade de valorizar as coisas simples da vida, capturados por essa lógica capitalista acabamos, sem perceber, transmitindo esses valores para os nossos filhos, ao invés de mostrar para eles que podemos encontrar felicidade em um passeio simples de Maria Fumaça, num dia ensolarado de domingo.