O impacto do consumismo na inserção social das crianças

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Sobre a autora: Paula Melgaço é sócia-fundadora da Clínica Base, graduada em Psicologia pela UFMG, especialista em Relações Internacionais, especialista em Psicanálise com Crianças e Adolescentes pela PUC-MG e mestranda em Psicologia na PUC-MG. Referência da Clínica Base em projetos relacionados à adolescência e à tecnologia/mundo virtual. www.clinicabase.com 

Outubro passou. O mês e a data comemorativa do Dia das Crianças, que muito interessa ao comércio devido às altas taxas de consumo, nos deixa uma reflexão: qual seria o impacto do consumismo na inserção social das crianças? E, logo virá o Natal e os muitos pedidos de presentes retornam ao cenário familiar.

Quem nunca escutou o filho dizendo: “Mas, todo mundo na minha escola tem, só eu que não tenho.” Muitos pais, com receio de que o filho seja excluído do grupo de colegas, mesmo não concordando com os princípios de determinado objeto ou brinquedo, acabam comprando-o, transmitindo para o filho, ainda que indiretamente, a ideia de que ele só será aceito se tiver um objeto específico. Por mais que seja difícil dizer não a seu filho, é importante que os pais transmitam para ele que seu valor não está num objeto, mas naquilo que ele é e será como pessoa, nas suas conquistas, méritos, realizações, para além do que ele pode comprar.

É inegável que não se trata de algo fácil para as crianças e adolescentes não ter um objeto que está na “moda” ou que confere certo status social dentro do seu grupo, porém faz parte de sua formação e desenvolvimento aprender a lidar com frustrações, além de fazer parte de seu processo educativo encontrar maneiras de lidar com o consumo. Cabe ressaltar que os pais não devem ser radicais e não dar nada aos filhos, mas avaliar o que de fato é importante e necessário para ele, além de verificar se seu filho está de fato preparado para brincar com determinado jogo ou ter acesso a algum tipo de recurso tecnológico.  Ninguém melhor que os pais para fazer tal avaliação, já que são as pessoas que mais conhecem as peculiaridades de seu filho.

As informações veiculadas pela mídia estimulam o consumo massificado que não abre espaço para as diferenças. Resultado, vemos crianças cada vez mais homogeneizadas tanto em seus comportamentos como em seus desejos, uma vez que são convidadas a ver o mundo pelo olhar das propagandas, dos seriados e dos jogos. Logo, cabe à família, através da educação para o consumo, dar a oportunidade para que seus filhos construam uma forma crítica e própria de ver o mundo para além dos estereótipos que a mídia transmite.