Selfie: um hábito inquestionável?

Selfie - Imagem Freepik

Imagem: Freepik

Sobre a autora: Paula Melgaço é sócia-fundadora da Clínica Base, graduada em Psicologia pela UFMG, Especialista em Relações Internacionais, Especialista em Psicanálise com Crianças e Adolescentes pela PUC-MG e Mestranda em Psicologia na PUC-MG. Referência da Clínica Base em projetos relacionados à adolescência, à tecnologia/mundo virtual e à orientação profissional. www.clinicabase.com

 

A “selfie”, uma categoria de foto em que usuário se posiciona em frente à câmera e capta sua própria imagem, foi um dos temas mais comentados do último ano, inclusive em termos de consumo, já que o “pau de selfie”, instrumento criado para melhorar a qualidade e ampliar os ângulos das fotos, foi um dos itens mais requisitados pelos usuários que fizeram compras online.

Para muitos, tirar uma “selfie” já é um hábito diário e inquestionável, contudo, parece que olhar para si mesmo se tornou mais importante do que contemplar o mundo à nossa volta. Enquanto produzimos nossos belos autorretratos, na academia, na balada e no shopping, o meio ambiente, a política, a saúde e a educação do planeta padecem aos nossos olhos.

É inegável que vivemos em mundo em que predomina o individualismo e o egocentrismo, contudo têm surgido diversos movimentos e críticos que vão na contramão desse processo. Tive a oportunidade de presenciar um espetáculo teatral que coloca para o público questionamentos formidáveis sobre a forma como nos posicionamos tanto em nossos relacionamentos sociais como no que concerne ao ambiente em que vivemos.

A peça “Selfie”, estrelada por Mateus Solano e Miguel Thiré, e que esteve em cartaz recentemente, traz diversas reflexões importantes, de forma divertida e irreverente, sobre a relação que estabelecemos com a tecnologia: de uma mãe que não consegue prestar atenção em seu filho porque está muito ocupada fotografando seus feitos culinários a um homem que se perde em meio a tantos aparatos, após implantar um computador em seu cérebro, o chamado “Conect Man”, esquecendo-se de olhar para o que o cerca por acreditar que não precisa de mais ninguém, além de si, para ser feliz.

Fica a reflexão que pode ser feita de qualquer lugar em qualquer tempo.