“O Menino no Espelho”: uma reflexão sobre a infância

Produção genuinamente mineira, em cartaz em Belo Horizonte e Contagem (jun/jul 2014) – Foto: divulgação

 

Sobre a autora: Desirée Ruas é jornalista e especialista em Educação ambiental e Sustentabilidade. Educadora ambiental e para o consumo. Coordenadora do Consciência e Consumo.

Voltar oito décadas no tempo e conhecer a infância de um grupo de crianças belo-horizontinas aventureiras é o convite do filme “O Menino no Espelho”, baseado no livro de mesmo nome do escritor Fernando Sabino. Em cartaz na capital mineira e na cidade de Contagem, o filme é uma incrível viagem ao passado. Ele recria a vida na cidade de Belo Horizonte no final da década de 1930, com o modo de viver das famílias, a arquitetura das construções, as questões políticas da época, o rigor da escola, a educação dentro de casa, a relação pais e filhos, e com uma infância bem vivida, cheia de traquinagens e fantasia. Na história, o reflexo do menino no espelho ganha vida e vai fazer suas tarefas como ir à escola e ouvir a bronca dos pais. Enquanto isso, o Fernando verdadeiro segue com suas aventuras habituais.

A história agrada a todas as idades. Quem viveu aquela época ou décadas seguintes relembra o seu passado e se identifica com os detalhes dos cenários e os costumes. Quem é criança embarca nas aventuras de Fernando e seus amigos, sempre acompanhados pelo simpático cãozinho. E nós, pais e mães, apesar de não termos vivido aquela época, encaramos a história como uma profunda reflexão sobre o que é a infância, de fato, e sobre a vida de nossas crianças hoje. Definitivamente, são tempos bem diferentes, e com uma pitada de saudosismo pergunto: será que nossas crianças mudaram tanto assim ou fomos nós, adultos, que mudamos a infância de nossas crianças?

O filme mostra a liberdade e a autonomia dos meninos em explorar o bairro, a rigidez da relação professor e aluno, os grandes quintais com árvores frondosas, a amizade entre as crianças, o jornal impresso e o rádio como os principais meios de comunicação, os brinquedos, as brincadeiras e as invenções da criançada. Merece destaque a interação do personagem com o lugar onde mora, seu bairro, sua cidade, com os vizinhos e os amigos, e as aventuras em casas abandonadas, no caminho até a escola, na casinha da árvore e em idas ao cinema. Pensamos em tudo o que muitas de nossas crianças têm hoje: excesso de bens materiais, rotina pesada, muito conhecimento, valores distorcidos, consumismo, apelos comerciais constantes e como elas estão, apesar de todas as possibilidades tecnológicas, fechadas em mundos restritos que pouco exercitam sua imaginação. O desafio hoje é permitir maior interação com mundo real e incentivar que meninos e meninas ganhem vida dentro e fora do espelho.

Por novas opções culturais para as crianças, mais sensíveis e com menos apelos comerciais, vale a pena conhecer o longa que marca o aniversário de 90 anos de nascimento do escritor belo-horizontino que se recusou a crescer: Fernando Sabino. “A produção, segundo Fiúza, vem para suprir a lacuna de mercado no segmento infanto-juvenil. O diretor, que aprendeu a fazer humor com Renato Aragão, a ser político com Eduardo Coutinho, a ser objetivo com Helvécio Ratton e a ser leve com Nelson Pereira dos Santos, abandonou, certa vez, trabalhos que fazia com a apresentadora Xuxa Meneghel por não concordar com a preocupação extrema em vender produtos em detrimento da diversão e da informação.” (Trecho da matéria sobre o filme publicada no Jornal Pampulha – 12/06/2014). Guilherme Fiúza Zenha assina a direção e também o roteiro em parceria com Cristiano Abud, André Carreira e Di Moretti. No elenco Lino Facioli, Mateus Solano, Regiane Alves, Gisele Fróes, Ricardo Blat e Laura Neiva. O filme “O Menino no Espelho” promete percorrer outros estados em breve. Acompanhe pela página do filme no Facebook.

Duração: 78 minutos

Classificação: Livre

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 Acervo de Fernando Sabino em Belo Horizonte

Saiba mais sobre o filme

Saiba mais sobre o diretor Guilherme Fiúza Zenha